FEIA XX

de 06 a 13 de outubro de 2019

inscrições abertas até 24.06

O Festival Estudantil do Instituto de Artes se declara: estamos na VIGÉSIMA edição!

Vinte anos e, por mais que o tempo passe, ainda nos perguntamos: o que é o FEIA?

O FEIA nasceu na UNICAMP, Barão Geraldo, Campinas, São Paulo, Brasil, América do Sul. Hoje, com vinte anos, O Julgamento, a carta XX do Tarot que indica um novo ciclo de vida, anuncia a necessidade de uma reavaliação, um check-up geral e de estar à altura dos desafios apresentados. É preciso saber de onde viemos para saber para onde ir; é preciso ver ancestralidade no futuro e futuro na ancestralidade; é preciso escolher qual caminho vamos tomar. É neste caminho, de mãos dadas, numa rede de afetos, fortes e resistentes que nadamos contra a correnteza do conservadorismo, fazendo existir e resistir um festival artístico em um cenário esmagador para as classes estudantil e artística.

São vinte anos ininterruptos desse festival festejo festa, que nasceu na virada do milênio por iniciativa de estudantes de diferentes cursos da UNICAMP e que, apesar do baixíssimo apoio financeiro institucional, vem construindo espaços de valorização e difusão das artes através da autonomia e organização estudantil, reconstruindo artística, política e afetivamente o espaço da universidade. Pegamos nossas ferramentas e construímos com nossos braços e afetos a materialização daquilo que acreditamos: um espaço de troca de experiências, olhares, saberes, referências, linguagens, trabalhos, abraços e de tudo que couber.

O FEIA não é apenas mais um evento no calendário acadêmico, não é uma semana sem aula, inútil. Ele é nossa autonomia no espaço acadêmico. Autonomia de construir o que acreditamos e esperamos da arte nesse momento político, social, educacional e cultural. De colocar em prática os anseios, a autocrítica e decidir qual direção tomar. Um festival que nos propõe deslocamentos pra fora de uma zona de conforto, a fim de levar para fora dos muros invisíveis (ou bem visíveis) da universidade pública o que produzimos com a infraestrutura que temos - esta precária e insuficiente, insistentemente atacada; esta que apesar dos pesares nos dá uma condição muito mais facilitadora do que as condições do outro lado do muro.

A vigésima edição olha pra sua história e para o seu futuro, quer honrar sua ancestralidade, resistindo e reinventando-se, consertando erros passados e subvertendo 2019. O Festival, que é ESTUDANTIL, de ARTES e de incentivo PÚBLICO, quer seguir vivo e respirando pluralidade, horizontalidade e diálogo. Diálogo entre as instâncias discentes, graduação e pós do instituto. Diálogo para além dos muros da universidade. Diálogo com as lutas e resistências.

Já dissemos antes, mas vale repetir: o FEIA é e quer autonomia. Essa que é necessária em todos os movimentos e coletivos subalternos frequentemente estereotipados. É tempo de nos empoderarmos de quem somos e tomar nossa própria direção. Com isso vem um grande desafio: reviver criticamente a tradição e a história do FEIA e transformá-la; perceber, a partir de um processo reflexivo, a trajetória do Instituto de Artes e o que lhe falta; trazer para dentro do Festival aqueles que por aqui passaram – ex-alunes artistas – e, ao mesmo tempo, aqueles que queremos que estejam na universidade, mas não estão.

A cara do FEIA XX quer mostrar em suas expressões que esse é um espaço de todas, todos, todes, por direito. Então, deve ser ocupado também com produções artísticas vindas da comunidade não acadêmica. Só assim a universidade será de fato um espaço de conhecimento; espaço pelo qual estamos todes unides lutando pra que continue existindo de maneira cada vez mais democrática.

O corpo do FEIA XX é MOVIMENTO. Só com movimento derrubamos os muros. Movimentamos com espetáculos, shows, oficinas, exposições, instalações, intervenções, mostras, exibições, rodas de conversa, festas, dança, teatro, música, performance, artes visuais, circo, audiovisual e ações educativas/formativas, para todo o tipo de público, de todas as idades, raças, crenças, regionalidades, gêneros e profissões. Até para aqueles que não botam muita fé nisso que fazemos.

Essa amplitude de movimentos precisa, para se concretizar, de uma equipe tão ampla quanto sua programação. E a rotatividade da equipe de organização e produção do FEIA permite que estejamos sempre dialogando com as demandas e urgências do agora. Tudo isso num contexto de cortes de verba destinada à educação, desde a infantil até pós-graduação. Esse sucateamento e desmonte da educação pública no país é um projeto que não é de hoje e que ameaça constantemente a existência do Festival.

Resistimos e resistiremos. E é nesse vigésimo ano de história que desejamos nos enxergar como parte de um ‘nós’ cada vez mais plural, reafirmando nossa existência de maneira crítica e construindo coletivamente o espaço em que queremos estar. Foram dezenove anos de caminhada para chegar na encruzilhada – diferentes trajetórias se cruzam e se encontram no FEIA XX.

Estamos no ponto de intersecção.